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ESPIONAMOS OS DETETIVES PARTICULARES
Por FRED MELO PAIVA

O investigador Elias Almeida, 31anos é formado a dez pela Central."Dudu" como é conhecido, argumenta: "É mais fácil fazer um grampo do que ficar seguindo alguém 24 horas por dia". Foi assim que Dudu localizou o paradeiro dos donos de uma empresa-fantasma que comprava três carros num leasing e desaparecera em seguida. Ele já havia reparado que um senhor costumava passar no antigo endereço da empresa para recolher correspondência. Seguiu o homem até em casa, grampeou seu telefone.do outro lado da linha, os ladrões estavam dando ordens: que rasgasse as cobranças e lhes mandasse o resto para rua tal, número tal, CEP e tudo - a casa nova dos bandidos.

No começo desta década, Dudu investigava, a pedido de um partido adversário, um vereador de Campinas cuja a popularidade crescente poderia faze-lo prefeito nas eleições seguintes. Depois de grava-lo numa minicâmera aos beijos com um rapaz - na boate gay, o próprio Dudu passeava de mãos dadas com o assistente -, o partido tratou de tira-lo de cena.

Quando teve com seu assistente na boate gay, não era a primeira vez que Dudu se passava por homossexual. Lançara mão do mesmo argumento para penetrar num motel e vasculhar as garagens em busca de suíte de seu investigado, um pulador de cerca crônico. Ainda que se tenha saído bem em ambas as missões, verificam-se ereções discursivas quando fala de suas experiências deliciosamente convencionais (embora nem tanto). Certa vez, um banqueiro de São Paulo pediu que investigasse a vida privada de seu amigo e diretor financeiro, para quem pretendia passar o comando da empresa. Numa sexta-feira, depois de sair de uma churrascaria, o executivo resolveu levar a esposa para dançar. Escolheu uma boate no bairro do Pacaembu, onde Dudu foi impedido de entrar por estar desacompanhado. O detetive pediu que uma amiga voltasse junto com ele, e, lá dentro, pasmou: estava numa casa de troca de casais, " ocara e a mulher dele estavam transando com todo mundo".deu azar no voyeur, perdeu a presidência do banco. Pelo menos ninguém se furtou da festa. Isso, jamais. "Aconteceu duas vezes: a mulher traída tirou a roupa na minha frente e perguntou se era tão ruim a ponto de o marido trocá-la por outra", delicia-se. "E pediu para eu fazer sexo com ela, para ver se o problema estava na cama." Furtar-se, jamais: "Mandei ver".

Às vezes as descobertas são pouco sensacionais. Uma atriz da Globo que mora em São Paulo chegou a contratar a equipe de investigadores mantida pela Central Única de Detetives do Brasil para saber onde se metia a filha quando cabulava aulas no colégio. Descobriu que a menina pulava o muro de um cemitério, encontrava alguns amigos, tomava vinho, fumava maconha, ouvia música e dançava - estava tudo nas fotos tiradas a distancia , nos relatórios a gentes. Em resumo: tanto material produzido para saber que a filha não era hippie nem punk. Era gótica. Para o detetive Eloy de Lacerda, pode-se dar bocejos confortadores quando a missão tem zero de adrenalina. " Uma vez achei o pai de uma garota desaparecido a 25 anos apenas conferindo na lista telefônica de São Paulo", conta.

Um dos momentos mais tensos da vida do detetive Almeida, o Dudu, aconteceu em 1996. certo de que a mulher de seu cliente entrara com o amante num motel o detetive lhe telefonou. Encontraram-se na porta e esperaram até que o carro dela apontasse na saída do prédio. Nesse momento, aproximaram-se, a pedido do marido, que até então se mantinha calmo. "De repente ele sacou uma arma e deu dois tiros nela", lembra. "Fiquei perplexo, comecei a tremer, a mulher morta na minha frente." Por causa de um contrato de trabalho, Dudu escapou do processo de cumplicidade.

É duro trabalhar como detetive, mas pode valer um bom dinheiro - 300 a 500 reais é o que cobra por uma diária de seguimento, o que significa o mínimo 10.000 reais no final de um mês com agenda gorda. Para tanto, é preciso se equipar, munir-se de minicâmeras, gravadores,grampos. Não sai por menos de 25.000 reais o pacote de equipamentos, mas usa-lo, alem de rentável, pode ser divertido.

"Não acreditamos no que assistimos pelas fitas", delicia-se. "O supervisor, amicíssimo do chefe, passava em frente ao quadro e mandava o patrão tomar no cu, sinalizando com o dedo todo santo dia." Com a ajuda das câmeras, Ângela descobriu que uma das funcionarias recheava o sanduíche com peças subtraídas do estoque, embalava-o de volta no papel laminado e, assim escapava dos sensores instalados pela segurança.

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